Tecendo traços e facetas de realidade…

marzo 18, 2017 CrônicasPoesiaPortuguêsPulsões  No comments

 

dios cornifero

Com cada traço, gesto, desejo ou rastro, adereço um novo instante. Desvisto pele, derme, reflexo ou denotação itinerante. Cubro-me com novos vícios. Novas curvas. Tertúlias de palavras inventadas. Novas vistas. Novas pistas. Outras luzes, outro fluxo mental que me encaixe um verbo latente e pensante. Outro dorso, outra aresta, outra fresta de realidade tamborilante. Novo rumo, novo prumo, novos pretextos ou quereres para ficar um pouco mais. Para criar um pouco mais. Doce descortinamento de continentes que se esbarram na baía do desejo. Onde por instantes o deus cornífero sobre o meu corpo, serpenteia. Devaneio. Mente torpe. Não mente e mete suavemente fragmentos de facetas de um tempo inventado. E se é real? Esse oscilar entre empuxos de volúpia e mansidão. Para quê medir o tempo quando Cronos se fascina, quando terráqueos ignoram sua existência. E se lambuzam no denso e pleno agora. Retorço e espremo as palavras. Até deslizar. Até soterrar os sentidos inventados. Etiquetados. Porque quando se abrem os poros e os sentidos que falam mais que os dicionários, estes ressoam em partituras inebriantes. E com cada rastro, traço, vinco, pulso, delineio novo contorno. Que não delimite os anseios, que não engesse os fluídos, que libere os micro contos sem desfecho iminente… Que invoque o senhor do imprevisível em uma sexta ao meio dia. Em uma noite clara ou lua fria. Em Carne crua ou curtida.

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