O muro de contenção

junio 15, 2017 CrônicasPortuguês  No comments

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Existe um muro de contenção. Entre cada ser, cada intento ou emoção. Não é medida de tempo, mas barreira que cede ao não. De não agir, de não sentir, de postergar, de estagnar.
É o muro sobre a égide do medo. Ou essa frequência, medida ínfima- íntima de distância entre seres vivos, ou objetivos.
Que por vezes resvalemos sobre o muro de contenção, que por vezes sigamos o não, lançando mão de escolhas ou vias de mão única. Mas que não estejamos anestesiados pelo medo. Da colisão. Colidir também derruba o muro da ilusão, despigmenta as miragens e as oblações inúteis e floreios.
Mas que nos rendamos às iminentes possibilidades. Perdamos os modos e os medos. Os passes e as etiquetas.
Duas pessoas com medo. Se roçam somente até a marca d’água. Duas pessoas com couraças, carcaças, se provam só até a superfície. O medo é a maior distância entre duas pessoas. O medo é o abismo sem queda. É o engessamento da vontade livre e desimpedida; é o marca página estagnando o livro na página dois.

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