Jogo o jogo

mayo 16, 2018 CrônicasMicro relato  No comments

Jogo o jogo.

Encaixe-me

um verbo.

Celeste ou de fogo.

Se não tem nexo, eu vou. Se não tem sexo, é amor. Se há medo, é pudor.  Se for de prata, eu empresto. Se não cabe, é resto. Se não prestar, eu invento. As flores do seu sentimento, no  temperamento-figurado. Se não faz sentido, eu sigo. Na corda bamba, ou abismo. E insisto e desvisto, as vestes versadas em querer  vermelho. verborrágico. Se aliteramos, eu falo. Se descruzamos, eu orvalho. Se insistir, eu não sinto. Muito nem pouco. Se for curto, eu me alongo. Entre os membros e  membranas. Se for na cama, eu não durmo. No seu colo, eu me calo. E movo as montanhas, que você leva dentro. Sinuosas ou oblíquas, eu não sigo as pistas. Mas, recrio o momento, de te saber dentro. E se isso é um jogo, vou começar de novo. Quando você disser três. Porque a mensagem é de nada. E só vou juntando letras ao revés. Das vezes, conversadas, versadas no vento, de remar outra vez. As rimas avisam, quando você se avizinha e nos disfarçamos de tempo e relógio de uma vez. E se for ao contrário, e não disser nada, eu não queimo a página, mas deslizo no além. De um sabor inventado. Do gosto que escapa, da amizade inexata. Das provas que nos damos, ao provar-nos também. E encaixe-me um verbo, se for liso e esperto. Rugoso ou convexo, se desafiar o meu nexo, repleto e profundo. Se achar absurdo. Se morder, eu te sugo, e invito e apuro a trovar nesse trem. No trino de fogo, entre marte e vênus, saímos dos trilhos de quem trilha contido. E sem prever a parada, saída ou vista, de um mar que se acerque nesse vaivém celeste. Você joga outra vez?

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