E vamos viver sem respostas…

agosto 26, 2014 CrônicasPortuguês  No comments

mar buzios 11E vamos viver sem respostas. Por enquanto. Por um minuto de silêncio, onde apenas as cigarras cantam. Uma brisa que satisfaça nossa necessidade por verdades. Tudo é como se manifesta em um instante. E por um instante- Talvez- seja verdade.

Essa ânsia por clarão à meia noite, por palavras inteiras sobre a mesa. Pode respirar. As fases da lua devem esperar. Tal como se espera a lua nova caminhar e se tornar plena novamente, falando aos olhos e às emoções flutuantes. Façamos um apelo a não-violência interna. Não arranquemos as vísceras cedo demais. Não violemos o tempo e o caminhar do relógio. As verdades mais cedo ou mais tarde atropelam as esquinas e derrubam as meias-palavras.

De nada serve empurrar saturno tal criança mimada. O senhor do tempo se move ao seu passo. E de nada serve temer o destino. Mais vale agarrar-lhe o braço e saltar junto. No final, o vento sempre sopra na direção certa. E
se errarmos o rumo, por um instante haveremos desfrutado uma verdade- efêmera. E logo, o vento seguirá seu curso, verdadeiro, regendo as marés internas e os devaneios externos. Não é a toa que o vento do levante tem fama e força de enlouquecer as gentes, pelo sul da Espanha.

Vamos viver de poesia leve, onde se camuflam as dúvidas entre as palavras. Onde se diz a verdade, mas também se mente. Onde se dissimula o simulacro da dor de existir. E se o tempo fechar, e o céu escurecer, sempre haverá um parágrafo a reescrever… E uma tecla  suprimir dentre as outras.

Estejamos atentos para não colocar as expectativas sob o júri interno do ego e emoções voluptuosas. As últimas não denotam sentimentos. Emoções são senhoritas trapaceiras, e por vezes também desorientam as verdades. Quando vêm rebolando no horizonte, é preciso sentar e apreciá-las. Sem mais. Sem julgá-las por seu modo de vida fácil. Turning on and off as carícias que servem somente aos sentidos.

A verdade viaja dentro, na velocidade da luz, pela corrente sanguínea, pelas veias da alma. Levamos dentro, mas muitos não a reconhecemos. A escondemos de nós mesmos, da luz do dia e dos anseios mais profundos para um coração sano.  A verdade habita o âmago e o leito do mar interno que todos temos. No entanto, nos deixamos levar pelo ruído e distração das ondas, pelas correntezas e tempestades. Esquecendo penosamente de mergulhar fundo e acessar a informação genuína que trancafiamos dentro. Privando nossa essência de não mais naufragar neste mar.

Foto e texto Renata Vazquez.

Leave a reply