Duvidemos sempre

junio 3, 2015 CrônicasPortuguês  No comments

veleiro 1

E a vida às vezes nos põe contra a parede. Exigindo que na próxima esquina as dúvidas se dissipem tal vapor raso. A vida joga. Joga com o acaso e os dias comuns. Por vezes o tempo se esquiva e tarda em nos presentear com os momentos mais sublimes e capturados pela moldura de um porta-retrato.

Disciplinemos a vida. Quando isso seja possível. E respiremos face às dúvidas oblíquas e os truques da mente inquieta. Pensemos besteiras e nos concentremos nas nuvens amarelas e nos dias azuis. Sejamos sinuosos quando a existência nos exija respostas quando só há caminho perseverante e inseguro. Quando o tempo seja duvidoso e não agarremos a areia que se esvai como ampulheta.

Deixemo-nos levar pela incongruência da imaginação infantil. Pelas imagens que se formam em mosaicos ou azulejos portugueses. Pelas sombras duvidosas de um casal fazendo sexo ou crianças brincando em um quarto escuro.

Amemos as incertezas, tal veleiro que se lança ao vento. Entreguemo-nos às tempestades e ao mar revolto do existir cada dia em uma identidade concedida com o primeiro choro. Descasquemos o esmalte em uma sexta à noite, sejamos machos ou fêmeas. Que se leia o jornal de trás para a frente e rasguemos a fatura do cartão de crédito. Lançando ao lixo as preocupações tangíveis.

Duvidemos do nosso reflexo no espelho. Duvidemos. Sempre duvidemos. E não tenhamos certeza de nada. Pois é assim que nascem as surpresas do inesperado na vida.

 

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