Derramemos o leite. E gargalhemos.

abril 2, 2017 CrônicasPortuguês  No comments

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Não chore jamais. Leite derramado é sinal de que você se arriscou. Se permitiu, se deixou enlaçar, viver, renascer, criar. Um adereço, uma visão, uma memória inventada. Uma carta tirada do meio do baralho das possibilidades saltitantes. Não chore, se não for de prazer, para dizer que o abismo vale a pena. Que a vida sem loucura é uma paleta bege e cinza monótona e entediante. Derramemos o leite. E gargalhemos. É inspirando que se é inspirado é se arranhando que se deixam historias ou contos para a posteridade. Não se faça de vítima, não. Sujeito passivo é lindo nas aulas de gramática, mas não encaixa no padrão mental e emocional que devemos manter para disfrutar de uma consciência leve. Lancemos mão da terceira lei da espiritualidade, tudo aconteceu da forma como deveria ter acontecido. Não existe “e se”. Até porque um passo para o risco, ou lançar-se no quarto escuro da mente alheia, aniquila em segundos qualquer “e se” que chacoalhe na sua mente consciente. Então, desejemos o leite derramado. O fato consumado. O rebolado utilizado ou não. Abracemos a intimidade em uma esquina, a roleta feminina de explorar o mundo interno comungando com fantasias que durem até mesmo um minuto. Sejamos livres, no inverno, ou na desnudez de uma chuva de verão, que nos encharque por dentro. Entreguemos as reticências, os flancos, as peles, os arcanos que evoquem esse leite. Jorrado ou derramado.

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