De palavras e memórias em relevo e braile do além tempo.

marzo 19, 2017 CrônicasPoesiaPortuguês  No comments

dama abismo

 

Dessas vezes em que é preciso fechar um ciclo. Mascar as folhas, de coca, ou manchar as folhas de papel. Atribuir a um rosto afeto, nostalgia, carícias ou um “faz parte”. Foi história. Mas, o marca página insiste em pincelar memorias de um verão de pulsões e experimentos. Carnais. Encontro, desencontro, reencontro. Reencarne. De um passado onde o condor recordava a montanha mais íngreme e as visões que guardei em silêncio, enquanto fitava os sulcos do teu rosto moreno. Atahualpa saberia o que vi. Ou às vezes, em que quase toquei a caravana cigana, entre fogueiras onde comungamos. Tu e eu. Miragens de quem vê além do tempo. E sem precisar de arcanos sabe que foi um belo encontro. E quanto mais descia ao abismo, mais me lançava à liberdade espiritual, à ascendência. De um amor. Livre. Sem amarras. Puro por saber-se inominável. Genuíno por ser humano. Belo por não esperar nada em troca. Encaixe de mentes tão inquietas e profundas entre dois delicados corpos. A semelhança que resvala entre duas almas tamborilando à margem do mundo. E da realidade.  E a insana lucidez ficou nas páginas, todavia não lidas. Por teus olhos e dedos. E os adereços que te endereço não são tardios neste passo. De carruagem de palavras e memórias em relevo e braile do além tempo.

 

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