Dandelion

agosto 28, 2013 Português  No comments

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E eu que queria tanta coisa, agora só me ocorre varrer a poluição da tua estrada. E me visto de brega e invento histórias. E construo cenas, onde o céu é lilás e os ogros são príncipes. E tropeço em meias verdades que não entenderias. Vou desenhando sussurros ferozes nas tuas costas. E desperdiças tesouros de brisa multicolor. E as pessoas caminham sem um norte particular. No modo automático, apressadas rumo ao nada, que será seguido por dia nenhum. E a vida às vezes levanta as pálpebras e te mostra que o joio não se mistura com o trigo, se puderes entender que a escuridão guarda segredos límpidos. Que cada dia é um sopro e a existência nunca se finda. E as pessoas se esbarram e não entendem o esforço que fazemos para querê-las, esculpi-las, adorná- las de doçura e bem -viver. E me cubro de palavras, quando me canso, me disfarço de nonsense para desnublar a vista. Escrevo cartas ao acaso dessa dança intensa ao redor dos astros de nossa órbita privada. E os versos seguirão claros, e os traços de pele seguirão confundidos e os raios de sol incidirão na tua janela, sem que possas senti-los, se continuares sem entendê-los.

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