Da alma quando me enxerga.

septiembre 30, 2017 CrônicasMicro contoPortuguês  No comments

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E penso em você. Como as folhas que se despedem dos galhos. Ansiando por resvalar no vento. No tempo e na brisa. Até descansarem. Junto a Terra. E desejo esse encontro. De estações que se esbarram. E se mesclam. Até que se definam novamente. Em novos dias. Novas flores. Ou odores entre chuva e relva. Enquanto a água escorre e molha até pensamento. Ou sedimento de saber-se querer. E penso na lua nua. Quase cheia. Onde possa balançar até mesmo a mente. No seu ventre. No seu dorso. Corpo exposto como raio de sol, a serpentear. Sobre o doce escorpião no deserto sem respostas. E penso na antítese entre fauna e flora, entre mente em branco e cataclisma interno. E retorno a esse inverno. Onde tudo era cor. Semente, lei incólume, fenda aberta ou lembranças de uma vida. Onde a vida se resumia a lua e sol escaldados na fogueira. E penso em trevo, sorte e morte. Em você sem carne ou osso. A esse ser que não esconde o rosto. Da alma quando me enxerga.

 

Foto: Carol Beiriz

 

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