Cavalgando no dorso da arte

marzo 28, 2017 CrônicasPortuguês  No comments

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O que é a arte se não total entrega e loucura em transcender a realidade? O que é a arte se não a magia criadora em gerar conteúdo, beleza, estados alterados de consciência, reflexão, historias, imagens que sejam permanente choque nas retinas. Se não evoca nossa alma a saltar do corpo não é arte. E se se conjuga com o ego, não reverbera, posto que a arte é uma menina mágica que comunga com o duende, na teoria e jogo explicado por Lorca.
Como transcender a realidade cavalgando no dorso da arte se temos por meta a ganância? O verdadeiro artista e devoto da arte, faz o que faz por amor e porque seria inconcebível outra forma de vida, de existência. Vive de e para a arte porque minguaria o próprio elan vital, se fosse viver uma vida que não fosse criando. Ser bem sucedido na arte é consequência e não meta financeira. Amor e lucro nunca beberam da mesma fonte. Criação e ganância nunca andarão na mesma via. Quem cria é livre, livre alma a se render aos sopros de inspiração. E como um médium que recebe os espíritos sabe que é vórtice e vértice da santa criatividade, da imaginação pura e desmedida. Por muitas vezes soprada por seres de outro lado. Somos guiados a comungar com o universo quando criamos, geramos a partir do nada um quadro, um poema, um espetáculo. E este encontro entre a mente e espírito que se doam é algo sacro, que não concebe desejos impuros ou transversados. São muitos os chamados, mas poucos os escolhidos, justamente aqueles que escolheram viver e beber da arte, na forma mais inocente de sua genuína concepção divina.

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