Belamente louco

junio 14, 2018 Poesia  No comments

 

Se de todo louco.  Se herdasse um pouco. Da descordura de ser. Servente e serviente. Da anormalidade requerida. Por um coração livre, em alma desabotoada. Toada desvestida. De aparências esperadas. Pelo lógico, obvio, aceitável ou corriqueiro. Se o isqueiro acendesse as mentes. Dementes e indelentes. Seres dormidos. Esquecidos da real essência. Aguda ou crônica. E essa crônica. Fosse uma ode a loucura. Congênita ou adquirida. Grande magia. Ou nirvana de poucos. E se a insana lucidez fosse a perene e indelével- Frequência equânime. Almejada. Vértebra ao vento. Sentimento orgânico – não adulterado. Se de todo louco. Se aprendesse um pouco. Se louvasse o outro. Que não julga. Que se expõe. Que sobrepõe. Razão e pensamento. Em compartimentos espaçados. E se o passado resultasse em algo. Que já vivemos noutro instante. No respaldo de uma nuvem. De dados cósmicos cerebrais. Que só acessassem os não-normais. Os excêntricos de nascimento. Os que cantam ao relento. À Bahia, à bainha da carne à mostra. E se louco fosse belo. Belamente em advérbio. De intensidade. E de verdade. Mais que prova de identidade. Porque plácido e lúcido são verbetes. Nobres e brejeiros. De quem têm os vórtices abertos. Mais além do inconsciente. Porque bebem da nascente. Da agua pura. Da loucura em altas doses. De canudinho. No litrão. Ou em vidrinhos.

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