À tempestade

febrero 10, 2014 CrônicasPortuguês  No comments

vini bw
Novamente levantaremos a bandeira da arte. Embora com outra roupagem.Quanto de sua matéria prima provém da dor e da tempestade? Nós que não fazemos nada pela metade, que nos recusamos a nadar com os peixes rasos, somos acometidos de extrema anormalidade por um grau de sensibilidade demasiado apurado para esta existência física? Divago… Ou encontramos na dor a inadequação a esse mundo pueril ; grande desleixo do criador? Lançamos mão  da arte porque os sentidos se esvaem e se findam e não dão razão à proporção da alma em um corpo minúsculo?

O que veio primeiro; a tempestade ou a arte? Corações tempestuosos deságuam na arte ou a arte deságua nos âmagos tempestuosos? Ou mesmo; a arte é o que arrefece a tempestade? Quando as palavras, os códigos e os sentidos já nada podem fazer por emoções elevadas à decima potência…

Se pudéssemos voltar no tempo, essa indagação morreria nos olhos de Vinicius de Moraes ou nos olhos de coruja de Picasso. No primeiro há dor, no segundo tempestade. Miradas que traduziam a chuva que os molhava por dentro. Encontremos a chave do enigma, banhando-nos na anormalidade.

 

* Texto publicado no jornal literário O Quixote.

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