Ela escreve o que nela descreve.

octubre 3, 2017 CrônicasPortuguês  No comments

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Ela escreve sobre o perigo e a calma. Sobre as dúvidas, sob a ribalta. Sobre ribanceiras e os abismos que figuram dentro. Dentro de uma persona multifacetada e sem máscaras que mascarem a superfície. Ela escreve sobre o risco e a ternura, sobre as tertúlias da vista impura. Ela escreve e dessangra a lua, a carne crua e as vísceras nuas. Ela escreve sobre os montes e rodamoinhos, sobe as montanhas do seu ego de espinhos. Ela escreve sobre a poeira sob o tapete. Ela escreve matando os pronomes, inventando nomes e dilacerando dicionários e regras. Ela escreve para que a vida sorria, na manhã mais fria. Para integrar sabores, para desconstruir temores. Ou para falar sozinha. Ela escreve porque se autointoxica. Porque a arte excita e as palavras são mágicas e sempre surpreendem...

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Da alma quando me enxerga.

septiembre 30, 2017 CrônicasMicro contoPortuguês  No comments

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E penso em você. Como as folhas que se despedem dos galhos. Ansiando por resvalar no vento. No tempo e na brisa. Até descansarem. Junto a Terra. E desejo esse encontro. De estações que se esbarram. E se mesclam. Até que se definam novamente. Em novos dias. Novas flores. Ou odores entre chuva e relva. Enquanto a água escorre e molha até pensamento. Ou sedimento de saber-se querer. E penso na lua nua. Quase cheia. Onde possa balançar até mesmo a mente. No seu ventre. No seu dorso. Corpo exposto como raio de sol, a serpentear. Sobre o doce escorpião no deserto sem respostas. E penso na antítese entre fauna e flora, entre mente em branco e cataclisma interno. E retorno a esse inverno. Onde tudo era cor. Semente, lei incólume, fenda aberta ou lembranças de uma vida...

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Sem Fim

julio 18, 2017 CrônicasPortuguês  No comments

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As vezes parece que estou indo embora. Que o tempo que tanto menciono já não é tao igual. E que talvez ,desta vez, consiga que o Deus Chronos me dê uma tregua. A Terra realmente tem se movido mais depressa . E às vezes, parece que estou indo embora. Embora já não tenha a mesma pressa. De antes. Parece que a pele descasca e as cascas já sobram. Que o jardim das delicias nao é uma obra, mas um bairro, o qual visito e revisito em muitas beiras do caminho. Extenso. Nessas vidas, que se multiplicam dentro desta mesma vida. A intensidade e velocidade com a qual troco de roupa. Me
Desfaço das vestes de anos ou meses. Ou semanas. Até. Até Morri e voltei para o mesmo corpo, mil vezes...

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Ode/ Oração à Temperança

julio 5, 2017 Poesia  No comments

Que eu possa me proteger dos pensamentos de um coração atribulado. Que o vento me recorde o infinito, em uma ode à impermanência. Que o refugio esteja dentro, quando as brechas do tempo forem o melhor lugar. Para ser um Ser melhor. Que perceba o quanto a ilusão aferra a mente, quando estamos desavisados. Existindo na rotina do passar das horas. Que haja mais dias brancos. E textos sem destinatários. Que eu não espere nada. Nenhuma moeda de troca. Que o humor de sexta feira seja sentido em uma plena segunda. E toque minha música favorita, quando estiver desdobrada dormindo. Que emane o melhor da alma, que aceita, recolhe e acolhe. Que os espíritos sigam falando ao meu ouvido. Quando somente eu puder me acalmar. Que o agora seja minha melhor ferramenta...

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Solstício de Veludo a Meia Luz

junio 27, 2017 "AFLORISMOS"CrônicasMicro conto  No comments

 

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E no meio de um sorriso, resvalei. Descalcei as botas e armaduras. Baixei a guarda e as expectativas de um soneto. Sensualmente perfeito. De homem de lata passei à espantalho. Com um coração humano , pulsando dentro. Com vísceras e veias de verdade. Regressei aos verbos voluptuosos de quem quer se enredar. E deslizar . Em outra pele. E as nuances já eriçam os poros. Já anunciam sussurros e encaixes de dorsos. De mãos ou membros.
E no meio de um sorriso, resvalei. Resetei os contos e repousei os dedos. Na pluma do imprevisível e das esquinas que se cruzam sem hesitar. Das siluetas à meia luz a serpentear. No calor de um inverno, que arde sem queimar.

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Solstício de veludo

junio 27, 2017 Poesia  No comments

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E eu sou a princesa dos ventos
A rainha dos tempos
Que só vive uma vez
E eu sou a que revela o momento
De rever sentimentos
Que passaram no além

E eu sou a antiga magia
A lua perdida
Que se escondeu de você
Sou a partida e a chegada
A hora marcada para não beijar outra vez

E eu sou a tempestade da chuva
A pluma crua que crava também
Sou a virgem santa desnuda
Que descobre a ternura
De amar sem refém.

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O muro de contenção

junio 15, 2017 CrônicasPortuguês  No comments

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Existe um muro de contenção. Entre cada ser, cada intento ou emoção. Não é medida de tempo, mas barreira que cede ao não. De não agir, de não sentir, de postergar, de estagnar.
É o muro sobre a égide do medo. Ou essa frequência, medida ínfima- íntima de distância entre seres vivos, ou objetivos.
Que por vezes resvalemos sobre o muro de contenção, que por vezes sigamos o não, lançando mão de escolhas ou vias de mão única. Mas que não estejamos anestesiados pelo medo. Da colisão. Colidir também derruba o muro da ilusão, despigmenta as miragens e as oblações inúteis e floreios.
Mas que nos rendamos às iminentes possibilidades. Perdamos os modos e os medos. Os passes e as etiquetas.
Duas pessoas com medo. Se roçam somente até a marca d’água...

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Derramemos o leite. E gargalhemos.

abril 2, 2017 CrônicasPortuguês  No comments

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Não chore jamais. Leite derramado é sinal de que você se arriscou. Se permitiu, se deixou enlaçar, viver, renascer, criar. Um adereço, uma visão, uma memória inventada. Uma carta tirada do meio do baralho das possibilidades saltitantes. Não chore, se não for de prazer, para dizer que o abismo vale a pena. Que a vida sem loucura é uma paleta bege e cinza monótona e entediante. Derramemos o leite. E gargalhemos. É inspirando que se é inspirado é se arranhando que se deixam historias ou contos para a posteridade. Não se faça de vítima, não. Sujeito passivo é lindo nas aulas de gramática, mas não encaixa no padrão mental e emocional que devemos manter para disfrutar de uma consciência leve. Lancemos mão da terceira lei da espiritualidade, tudo aconteceu da forma como deveria ter acontecido...

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Cavalgando no dorso da arte

marzo 28, 2017 CrônicasPortuguês  No comments

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O que é a arte se não total entrega e loucura em transcender a realidade? O que é a arte se não a magia criadora em gerar conteúdo, beleza, estados alterados de consciência, reflexão, historias, imagens que sejam permanente choque nas retinas. Se não evoca nossa alma a saltar do corpo não é arte. E se se conjuga com o ego, não reverbera, posto que a arte é uma menina mágica que comunga com o duende, na teoria e jogo explicado por Lorca.
Como transcender a realidade cavalgando no dorso da arte se temos por meta a ganância? O verdadeiro artista e devoto da arte, faz o que faz por amor e porque seria inconcebível outra forma de vida, de existência. Vive de e para a arte porque minguaria o próprio elan vital, se fosse viver uma vida que não fosse criando...

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De palavras e memórias em relevo e braile do além tempo.

marzo 19, 2017 CrônicasPoesiaPortuguês  No comments

dama abismo

Dessas vezes em que é preciso fechar um ciclo. Mascar as folhas, de coca, ou manchar as folhas de papel. Atribuir a um rosto afeto, nostalgia, carícias ou um “faz parte”. Foi história. Mas, o marca página insiste em pincelar memorias de um verão de pulsões e experimentos. Carnais. Encontro, desencontro, reencontro. Reencarne. De um passado onde o condor recordava a montanha mais íngreme e as visões que guardei em silêncio, enquanto fitava os sulcos do teu rosto moreno. Atahualpa saberia o que vi. Ou às vezes, em que quase toquei a caravana cigana, entre fogueiras onde comungamos. Tu e eu. Miragens de quem vê além do tempo. E sem precisar de arcanos sabe que foi um belo encontro. E quanto mais descia ao abismo, mais me lançava à liberdade espiritual, à ascendência. De um amor. Livre...

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