De palavras e memórias em relevo e braile do além tempo.

marzo 19, 2017 CrônicasPoesiaPortuguês  No comments

dama abismo

Dessas vezes em que é preciso fechar um ciclo. Mascar as folhas, de coca, ou manchar as folhas de papel. Atribuir a um rosto afeto, nostalgia, carícias ou um “faz parte”. Foi história. Mas, o marca página insiste em pincelar memorias de um verão de pulsões e experimentos. Carnais. Encontro, desencontro, reencontro. Reencarne. De um passado onde o condor recordava a montanha mais íngreme e as visões que guardei em silêncio, enquanto fitava os sulcos do teu rosto moreno. Atahualpa saberia o que vi. Ou às vezes, em que quase toquei a caravana cigana, entre fogueiras onde comungamos. Tu e eu. Miragens de quem vê além do tempo. E sem precisar de arcanos sabe que foi um belo encontro. E quanto mais descia ao abismo, mais me lançava à liberdade espiritual, à ascendência. De um amor. Livre...

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Tecendo traços e facetas de realidade…

marzo 18, 2017 CrônicasPoesiaPortuguêsPulsões  No comments

dios cornifero

Com cada traço, gesto, desejo ou rastro, adereço um novo instante. Desvisto pele, derme, reflexo ou denotação itinerante. Cubro-me com novos vícios. Novas curvas. Tertúlias de palavras inventadas. Novas vistas. Novas pistas. Outras luzes, outro fluxo mental que me encaixe um verbo latente e pensante. Outro dorso, outra aresta, outra fresta de realidade tamborilante. Novo rumo, novo prumo, novos pretextos ou quereres para ficar um pouco mais. Para criar um pouco mais. Doce descortinamento de continentes que se esbarram na baía do desejo. Onde por instantes o deus cornífero sobre o meu corpo, serpenteia. Devaneio. Mente torpe. Não mente e mete suavemente fragmentos de facetas de um tempo inventado. E se é real? Esse oscilar entre empuxos de volúpia e mansidão...

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Acolherei. Te.

febrero 6, 2017 CrônicasPoesiaPortuguês  No comments

acolherei

E te acolherei. Quando estiveres cansado. Quando as horas restarem uníssonas e opacas e todos os rostos, ou quase todos. Forem mais do mesmo. E as histórias cismem em se orquestrar na insistente repetição. Na monotonia que escorre pelas chagas que não se curam, nos ofícios comuns. Quando a realidade se tornar cinza e as ruas do seu bairro se mostrem plenas de caos e tensão apática entre pernas que caminham rumo a esquinas inexistentes. Quando todos os copos forem rasos e seu fluxo – mental – não caiba em nenhum dorso, te acolherei. Quando já não houver paredes a pintar e as tintas precisem ser içadas desde as nuvens mais altas. Quando uma amarelinha figurar no seu chão e os tons restarem saturados de nostalgia ou segredos furtivos. Eu te acolherei...

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E voltaremos a caminhar entre os deuses…

enero 21, 2017 CrônicasPortuguês  No comments

anjos caidos

E voltaremos a caminhar entre os deuses e os anjos caídos. Que se levantaram ou não. Regressaremos à pureza do espírito. E aos candelabros que acendem as almas. Ascenderemos. Todos. Um a um. Ou em blocos, em vagões e massas de pó e poeira.

E voltaremos a sentir o toque e o abraço, ou o braço que nos falta. Voltaremos a enxergar, quando já nos falhe a vista. Transitaremos sobre paragens cálidas e frescas. Devolveremos as peles grosseiras e rústicas. Descascaremos o envoltório de um soneto fisicamente perfeito e apertado. Que não esparrama ou inunda. Seremos vastos e brandos, permearemos tudo e nos cobriremos de estrelas.

E voltaremos a ser co-criadores. Desvendaremos os segredos mais além da própria invenção do tempo...

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Transcender o Mundo.

enero 21, 2017 CrônicasPortuguês  No comments

diary

Às vezes, só preciso transcender o mundo e deixar minha história. Esquecer que desaprendo a cada vez que questiono. Entender que é mais árduo se considero que viver dá trabalho. E às vezes, só preciso transcender o óbvio – que há uma finitude em tudo – sobretudo na vida. Quase sempre opaca e até bidimensional. Estática para quem se deixa estancar no achismo de que tudo é tédio, e na verdade, o grande achismo é se achar livre de tudo. Ainda que isso implique livrar-se de um desejo que não te livra. Da querência. Então, que se plasme no livro,  a liberdade que precede a mente, a saudade que prejudica o dia… E a festa de despedida para pessoas que nunca conheci.

A vida não é o labirinto que nos contaram...

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No tiemblo, For you.

agosto 23, 2016 "AFLORISMOS"españolPoesia  No comments

hibisco rojo
“Y cuando te miro, no tiemblo,
Te quiero y me escapo,
Te enlazo y te tengo
Y te ocultas en la orilla
De la luna blanca.

Y los lunares no se olvidan
Si te tengo bajo la calma
De mi falda negra

Y los cuerpos se tambalean
En el vértigo del tiempo
En un sentimiento rojo
Y blanco bajo mi nevera

Y bailando hemos flotado
Los espacios del reojo
En un cambio climático
De versos y antojos.”

 

#renatavazquez

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Efraín Huerta

julio 13, 2016 "AFLORISMOS"españolPoesia  No comments

“Creo que cada poema es un mundo.

Un mundo y un aparte.

Un territorio cercado,

al que no deben penetrar

los totalmente indocumentados,

los censores, los líricamente desmadrados.

Un poemínimo es un mundo, sí,

pero a veces advierto que he descubierto

una galaxia y que los años luz

no cuentan sino como referencia,

muy vaga referencia, p

orque el poemínimo

está a la vuelta de la esquina

o en la siguiente parada del Metro.

Un poemínimo es una mariposa

loca,

capturada a tiempo

y a tiempo sometida

al rigor de la

camisa

de fuerza.

Y no la toques ya más,

que así es la cosa.

La cosa loca,

lo imprevisible,

lo que te cae encima

o tan sólo te roza

la estrecha entenderá

—y ya se te hizo.”

 

EFRAÍN HUERTA

 

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Rebanho

julio 1, 2016 PoesiaPortuguês  No comments

 

ovelha negra

O meu rebanho é de ovelhas

negras de coração puro,

de olhar taciturno,

cuando perdemos las lanas.

 

O meu rebanho te olha diferente,

Displicente continuamente,

Ao revés e na frente,

do teu sol poente.

 

E nas chuvas, orvalho,

No tronco do Carvalho,

De todos os machos híbridos ou puros,

Descolando a razão da sua retina.

 

O meu rebanho é de ovelhas,

negras,

De coração rotundo,

Poço sem fundo,

Nevoeiro que te traga,

Sem tédio

ou pudor.

 

 

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O duende e a menina

junio 29, 2016 CrônicasPortuguês  No comments

paco maestro

Sobre a “Teoria y Juego Del duende” de Garcia Lorca…

Por vezes, o ator, trovador, escritor, esbanja técnica, habilidade, controle, efeitos plásticos, mas não lhe tira da realidade. Não te sacode, não pulsa dentro. Não enfeitiça, não  inebria. Se não fala à alma, falta algo. Se não te faz esquecer por um microssegundo que és feito de carne. Falta vida. Falta o duende. Falta. Essa chispa, que acende e ascende, que comove, que te faz levitar por entre as entrelinhas da vida corrente. O duende chega sem aviso, te penetra ou te possui. O duende é assalto ou furto? Ou ambos os duelos dilacerando a razão que não se segue. O duende é arroubo, é possessão, não se explica ou delimita. Se não há risco, não há duende, se não há fluxo, ele não vem...

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Jogo o jogo / Encaixe-me um verbo

junio 18, 2016 CrônicasPortuguêsPulsões  No comments

poker

“Jogo o jogo.

Encaixe-me

um verbo.

Celeste ou de fogo.

Se não tem nexo, eu vou. Se não tem sexo, é amor. Se há medo, é pudor.  Se for de prata, eu empresto. Se não cabe, é resto. Se não prestar, eu invento. As flores do seu sentimento, no  temperamento-figurado. Se não faz sentido, eu sigo. Na corda bamba, ou abismo. E insisto e desvisto, as vestes versadas em querer  vermelho. verborrágico. Se aliteramos, eu falo. Se descruzamos, eu orvalho. Se insistir, eu não sinto. Muito nem pouco. Se for curto, eu me alongo. Entre os membros e  membranas. Se for na cama, eu não durmo. No seu colo, eu me calo. E movo as montanhas, que você leva dentro. Sinuosas ou oblíquas, eu não sigo as pistas. Mas, recrio o momento, de te saber dentro. E se isso é um jogo, vou começar de no...

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